No Brasil, estima-se que um em cada seis casais precise de ajuda médica para ter filhos. Conheça as principais técnicas de fertilização

Na madrugada de 25 de julho de 1978, em um hospital perto de Manchester, na Inglaterra, nasceu o primeiro “bebê de proveta” do mundo, Louise Brown. Seu nascimento, depois de 50 tentativas, foi um marco na história da medicina, desafiou os céticos, ganhou imensa repercussão na imprensa e, principalmente, possibilitou que casais e mulheres com dificuldades reprodutivas em todo o mundo realizassem o sonho de constituir uma família. Poucos anos depois, em 1981, nasceu o primeiro bebê de proveta nos Estados Unidos e, em 1984, a primeira criança brasileira concebida em laboratório. De lá para cá, muitas mudanças aconteceram. Conheça as técnicas mais utilizadas e os recursos disponíveis para quem deseja ter filhos.

Bebê conforto

Reprodução Assistida

Reprodução assistida (ou R.A.) é um conjunto de técnicas que tem como objetivo tentar viabilizar a gestação em mulheres com dificuldades para engravidar. No Brasil, o número de pessoas que necessitam de algum tipo de ajuda médica para engravidar vem aumentando e chega a um em cada seis casais, segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Entre as causas deste aumento estão a melhora no poder aquisitivo da população, possibilitando os tratamentos; a presença das mulheres no mercado de trabalho, que leva a gestações cada vez mais tardias, quando a fertilidade é reduzida; e o acesso a tratamentos gratuitos nos hospitais públicos, como já ocorre em algumas cidades brasileiras.

cuidados da gestante

Causas da infertilidade

A infertilidade e as dificuldades de concepção, que podem ser masculinas, femininas ou de ambos, têm inúmeras causas. Entre os homens, destacam-se as disfunções eréteis; os chamados “anticorpos espermáticos” que impedem a mobilidade, sobrevivência ou habilidade dos espermatozoides; deficiências hormonais; câncer testicular; contato prolongado com substâncias químicas, como pesticidas; traumas na coluna espinhal causando problemas de fertilidade devido a lesões neurológicas e abuso de álcool, fumo e drogas. Nas mulheres, as principais causas da infertilidade são problemas hormonais como disfunções na tireoide ou nas glândulas suprarrenais; problemas ovulatórios, como os ovários policísticos; obstruções ou comprometimento das trompas, causados normalmente pela endometriose; doenças uterinas como miomas e pólipos; infecções no colo do útero; fatores imunológicos, que fazem com que o organismo “veja” o espermatozoide como um intruso, rejeitando-o, e uso de álcool, fumo e drogas. Por fim, a idade também tem um forte impacto na fertilidade feminina.

Bebê chegando

Reserva ovariana

Enquanto o homem permanece fértil até o fim da vida – embora seus espermatozoides também percam qualidade ao longo dos anos –, a idade tem um forte impacto sobre a fertilidade feminina. Segundo os especialistas, a fase mais fértil da vida da mulher vai dos 20 aos 30 anos, momento em que não necessariamente ela vive as melhores condições profissionais, financeiras e emocionais para ser mãe. Aos 35 anos, a fertilidade já é metade da que era aos 25 anos, e, aos 40, cai para a metade do que era aos 35 anos. A principal causa deste decréscimo é a chamada “reserva ovariana”: os óvulos se formam quando uma mulher ainda está dentro da barriga da sua mãe. Durante a vida, eles vão sendo usados ou são descartados pelo organismo. Quanto mais o tempo passa, menos óvulos viáveis existem. Curiosidade: ao nascer, sua mãe já possuía no organismo o óvulo que geraria a sua vida. Por isso, podemos dizer que 50% da carga genética que geraria a sua vida já esteve dentro do corpo da sua avó!

Gestante

A hora de procurar ajuda

Segundo os médicos, eventuais problemas de fertilidade do casal devem ser investigados após 12 meses de tentativas, sem sucesso, de engravidar. Quando a mulher tem mais de 35 anos, este prazo pode ser menor. O primeiro passo do tratamento consiste em fazer vários exames que descubram onde está o problema. A partir disso, são oferecidas as opções clínicas de acordo com cada situação.

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As técnicas de reprodução assistida

Desde julho de 1978, quando os médicos ingleses Robert Edward e Patrick Steptoe conseguiram criar o primeiro bebê de proveta do mundo, muita coisa mudou. Hoje, casais com dificuldades para engravidar têm tecnologia de ponta à disposição da medicina e duas técnicas principais de reprodução assistida. Na inseminação artificial ou intrauterina, considerada de baixa complexidade, são manipulados apenas os espermatozoides, que, então, são inseridos no ambiente natural, as trompas. Esta técnica é especialmente indicada quando a mulher é jovem e a dificuldade encontra-se em fazer com que os espermatozoides fecundem o óvulo – frequentemente associa-se a inseminação intrauterina à indução da ovulação na mulher. Nestes casos deve-se ter o cuidado de controlar o número de óvulos que estão prontos, pois o risco de gestação múltipla é alto. Já na fertilização in vitro, a concepção ocorre fora do organismo feminino. Ela é feita em 4 etapas: estimulação da ovulação através de hormônios, aspiração dos óvulos através de punção por via transvaginal, fecundação com os espermatozoides do parceiro e transferência embrionária, quando o embrião é colocado dentro do endométrio. Embora o objetivo dos tratamentos de reprodução assistida seja sempre a gestação única, em geral, durante a transferência embrionária, são levados até o endométrio de 2 a 3 embriões. Isso ocorre porque nem sempre todos os embriões se desenvolvem adequadamente.

Congelamento

Atualmente muitas mulheres optam por congelar seus óvulos durante a fase mais fértil da vida. Este procedimento assegura que anos mais tarde ela possa recorrer à sua própria carga genética para ter um filho, evitando a necessidade de buscar óvulos de doadoras mais jovens. Para os homens, a possibilidade de congelar os espermatozoides também existe, especialmente quando é necessário passar por algum tratamento que comprometa a fertilidade, como radioterapia.

Amamentação

Autor: Renata Marcondes de Paula

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